Pesquisa inédita utiliza dados de quase três décadas para demonstrar como a política de reajustes lineares aprofundou o “abismo” entre carreiras e precarizou a remuneração de servidores. Resultados detalhados serão apresentados em live nesta quinta-feira, dia 18, às 14h.
Em resposta às deliberações da base e respaldado pelo posicionamento unânime de sua Assembleia Geral Extraordinária, realizada no dia 7 de março de 2026, o SINTRAJURN deu um passo decisivo na fundamentação científica de suas lutas históricas. Naquela ocasião, a categoria aprovou por unanimidade o apoio irrestrito à valorização do cargo de Técnico Judiciário e à reestruturação de carreira de todos os segmentos do PJU. Para subsidiar tecnicamente essa decisão e municiar os servidores com dados incontestáveis, o sindicato encomendou uma pesquisa econométrica aprofundada para avaliar o real impacto das políticas remuneratórias vigentes.
O resultado desse esforço institucional é o relatório técnico-científico intitulado “Análise Econômica da Política Salarial do PJU: Evidências Econométricas do Impacto dos Reajustes Lineares na Estrutura Remuneratória de Técnicos e Analistas (1996-2023)”, de autoria da Profª Drª Juliana Souza Scriptore Moreira, economista e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Utilizando ferramentas rigorosas de modelagem estatística (Regressão Linear Simples e Modelo Log-Nível), o estudo mapeou quase três décadas de política remuneratória. A conclusão principal desconstrói o senso comum de que os reajustes lineares concedidos desde o Plano Real trazem equidade: na prática, eles funcionaram como um mecanismo estrutural de ampliação da desigualdade.
O tamanho do fosso: a farsa dos reajustes percentuais iguais
A análise econométrica revelou dados alarmantes sobre o comportamento das remunerações nominais e reais (corrigidas pelo IPCA para eliminar a ilusão monetária):
- A cada ano em que houve aplicação de reajustes em percentuais idênticos sobre bases salariais que já eram desiguais, o abismo entre o contracheque do Analista e do Técnico aumentou, em média, R$ 326,00. Esse efeito cumulativo fez com que a diferença real absoluta saltasse de R$ 1.176,00 em 2001 para impressionantes R$ 8.709,00 em 2023 no final das carreiras.
- Mesmo descontando toda a inflação acumulada do período (que atingiu quase 397% entre 1996 e 2023), o abismo real absoluto cresceu de forma sistemática a uma taxa de 3,025% ao ano.
O estudo alerta que a sutil aproximação das curvas salariais vista nos últimos anos não representa ganho ou correção estrutural. Trata-se, na verdade, de um “nivelamento por baixo” provocado pela ausência de reposição inflacionária integral pós-2016, que corroeu o poder de compra de ambas as categorias de forma generalizada.
Descompasso com a realidade e as teorias do trabalho
Um dos pontos altos do relatório é o confronto entre os resultados estatísticos e as teorias clássicas da Economia do Trabalho. Teorias como as de Mincer (Capital Humano) e Spence (Sinalização de Mercado) perdem sustentação diante da realidade prática e legal do PJU:
- Identidade funcional: A premissa neoclássica de que salários diferentes refletem produtividades diferentes cai por terra no cotidiano do PJU, onde Técnicos e Analistas desempenham as mesmas funções com igual complexidade, eficiência e entrega.
- Efeito Diploma: Antigamente justificado pelo requisito de ingresso, o diferencial perde sentido quando se constata que a ampla maioria dos Técnicos possui nível superior — escolaridade que passou a ser, também por lei, o requisito unificado de acesso à carreira.
“O Técnico permanece retido em uma progressão financeira mais lenta, operando em clara desigualdade de ascensão”, destaca a pesquisa. Enquanto o salário real do Analista avançou à velocidade média de R$ 110,70 por ano, o do Técnico avançou apenas R$ 68,93 por ano, gerando uma marginalização estrutural que desvaloriza a carreira técnica.
Urgência na Reestruturação
Para o coordenador Financeiro do SINTRAJURN, Thiago Capistrano, os dados científicos do relatório traduzem em estatísticas um cenário de injustiça e precarização que a categoria já sentia no cotidiano das varas e tribunais:
“A valorização de todos os servidores é razão de urgência para a reestruturação de carreiras. No entanto, a precarização do cargo de Técnico vai além do achatamento financeiro sofrido nos últimos anos, sendo urgente o olhar atento do STF.”
Próximos passos: Ofensiva institucional
O SINTRAJURN não limitará o uso deste estudo ao debate interno. A diretoria confirmou que o relatório técnico-científico será encaminhado oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Fórum de Carreiras do CNJ e à FENAJUFE. O objetivo é garantir ampla publicação, subsidiar politicamente as mesas de negociação nacionais e promover o encaminhamento do material aos demais sindicatos do país, unificando a narrativa da categoria com base em evidências econométricas incontestáveis.
Participe da Live de Lançamento e Debate!
Para apresentar os bastidores dessa pesquisa, explicar a metodologia e detalhar o script de dados que fundamenta nossas reivindicações, o SINTRAJURN convida toda a categoria para uma transmissão ao vivo com a autora do estudo.
- Live de apresentação do Estudo Econométrico da Política Salarial do PJU.
- Quando: Nesta quinta-feira, dia 18, às 14 horas.
- Onde: Transmissão ao vivo pelos canais oficiais do SINTRAJURN.
- Convidada Especial: Profª Drª Juliana Souza Scriptore Moreira (Doutora em Teoria Econômica pela USP e Profª Adjunta da UNIFESP).
Sua participação é fundamental. Municiar a categoria com dados técnicos e científicos contribui para pressionar as instâncias superiores por uma correção histórica em nossa estrutura de carreira. Não perca!





