Por Janilson Sales de Carvalho – Coordenador Geral do SINTRAJURN

Emanuel Kant, filósofo alemão, afirmou: “não há direito sem força.” A força tem registros antigos e novos vinculados ao masculino. Homem é forte, mulher é frágil. Tolices que sumiram na poeira do tempo.

Têmis, a deusa grega da justiça, está sob sol e chuva nos egrégios tribunais. Sempre embelezando espaços internos ou jardins. Fica lá de olhos vendados, segurando a espada. Cumpre seu papel eterno e simbólico. A justiça é feminina.

Nesses séculos de prontidão palaciana, Têmis testemunhou silenciosamente as mudanças muito lentas, porém, vigorosas nos corredores e salas dos tribunais. Qualquer romance anterior aos anos sessenta representa os tribunais como ambientes predominantemente masculinos. Têmis foi paciente e sorria sob a venda. Reconhecia as vozes femininas que a cada ano se faziam mais presentes, ocupando os espaços.

E o direito não perdeu sua força. Ganhou uma nova dimensão na ordem feminina. As mães foram as primeiras juízas na vida de qualquer pessoa. Elas estabeleciam as ordens nos antigos lares enquanto os pais trabalhavam em seus empregos. A lei materna atuava para manter a ordem e o afeto. O respeito era resultado dessa busca em tempo integral.

Os tribunais estão nos limites das relações humanas. Quando os caminhos do diálogo desaparecem surgem os tribunais para evitar os abismos.

Mas Têmis não incorpora apenas juízas. Ela está em cada mulher que trabalha nos tribunais. Os olhos dela brilham em cada servidora que recebe os que buscam a justiça. Suas mãos acolhem os desesperados.

Têmis permanece em jardins sob a chuva e o sol. Ouve os passos dos desesperançados que seguem no rumo do tribunal. Alguns menos apressados ouvem um sussurro: “siga…elas estão lhe esperando”.

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