Durante a Plenária Nacional da Fenajufe ocorrida entre os dias 3 e 5 de agosto em Salvador (BA) foram discutidos importantes temas para a classe trabalhadora brasileira. Inicialmente foi feita uma análise de conjuntura, onde foi destacado o desenfreado ataque aos trabalhadores que vem sendo executado pelo Governo Federal. Também foi apresentada a prestação de contas da entidade e por fim definido um calendário de lutas que deverá abranger o Dia do Basta, em 10 de agosto, em defesa do emprego e dos direitos dos trabalhadores (convocado por várias centrais sindicais) e o Bota Fora de Carmem Lúcia, em 12 de setembro, em Brasília. O Sintrajurn participou do evento com quatro delegados (Leandro, Silvana, Carlos Pinheiro e Cláudio Bulhões) e dois observadores (Max e Janilson).
“A Fenajufe precisa evoluir, tanto na defesa dos diretos do cidadão e do ser humano em geral quanto na defesa do PJU. A forma de trabalho da Fenajufe está atrasada em pelo menos dois mil anos. Precisa realmente rever todos os seus métodos e uma reconstrução com urgência. É uma Entidade que precisa ser revista e reconstruída para, quem sabe, conseguir algum benefício real para os servidores. Se mantendo desse modo não passa de mais uma falácia que engodo”, avaliou o servidor do TRE Leandro Gonçalves.
“O que ficou de mais marcante nessa Plenária foi a necessidade de união de todos os servidores para enfrentarmos as sérias ameaças que estão aí colocadas. A emenda constitucional nº 95 [teto dos gastos públicos] precisa ser revogada, e somente com muita união, não só dos servidores públicos, mas de todos os trabalhadores, é que poderemos criar o fator político forte o suficiente para conseguirmos derrubar essa sandice imposta por um corrupto que não se elegeu prometendo nada disso! E, dentro dessa luta, duas datas próximas já estão marcadas para atuarmos: 10 de agosto e 12 de setembro. O SINTRAJURN precisa estar presente e chamar a categoria para essas e outras atividades que virão! Não somos uma ilha, isolados da realidade. Estamos no mesmo barco, junto com os demais servidores e com toda a sociedade brasileira, que irá sofrer terrivelmente se não conseguirmos derrubar essa diabólica emenda constitucional! Não podemos estar ausentes das barricadas da resistência!”, defende Max Foeppel, também da Justiça Eleitoral.
Já o servidor aposentado da Justiça Federal, Carlos Pinheiro, se assustou com a dificuldade financeira enfrentada pela Entidade. “Na prestação de contas chamou atenção eles terem avaliado que, com a saída de dois sindicato, a Entidade irá quebrar. Eles trabalharam seis meses no vermelho, dois meses depois melhorou um pouco mas não cobriu”, disse. Para ele houve um avanço nas discussões, mas a quantidade de pendências que se mantém ao final do evento é grande.
Para Silvana Gruska, também da Justiça Federal, o calendário de lutas foi um dos destaques do evento. ” É importante a categoria saber que não adianta lutar apenas pela data base, pois sem a revogação da EC 95, que limita os gastos públicos por 20 anos e implica num congelamento real das despesas do Governo Federal, ela não virá, como também o servidor público não terá qualquer reajuste ou recomposição salarial. Daí a suma importância dessa luta e a necessidade do engajamento de todos para sua revogação”, avalia. E acrescentou: “creio que a plenária melhorou em alguns aspectos, priorizando a organização e pontualidade dos trabalhos (…), importante também foi o reforço ao calendário de lutas, que pode ser conhecido na página da Fenajufe, o qual destaco a construção do 12 de setembro, com ato a ser realizado em frente ao STF, em Brasília, dia da posse de Dias Toffoli como presidente desse tribunal, oportunidade em que os servidores irão exigir atenção ? s reivindicações da categoria, entre as quais a data-base”.
O Coordenador-geral do Sintrajurn, Cláudio Bulhões, também fez sua avaliação do evento:
“Na minha opinião a Fenajufe está contaminada e aparelhada com um sindicalismo político partidário que engessa toda a conquista da categoria! Para mim, a Fenajufe deveria trabalhar como uma empresa privada, com metas e prazos determinados! Vejamos bem: Os próprios tribunais avançaram muito em suas conquistas quando se estabeleceu metas perante os seus diversos órgãos! Toda a estrutura da Fenajufe está falida, a iniciar pelo modelo de Plenaria que não trás as verdadeiras demandas da categoria! Para mim, enquanto tivermos pessoas envolvidas em partidos políticos e trazendo projetos políticos partidários para dentro da Fenajufe, a nossa categoria não avançará e não adianta ficar esperneando por aqui! Contudo já existe uma luz no final do túnel, pois muitos sindicatos estão descontentes com a atuação da Fenajufe e ameaçam de forma organizada a desfiliação em massa, caso os trabalhos continuem funcionando da forma como está! Entendo cada vez mais necessário a participação dos colegas que ainda não são filiados a se filiarem ao Sintrajurn, pois somente com um sindicato de base forte poderemos um dia tentar mudar a situação perante a Fenajufe! Por isso acredito que a melhor solução é você sindicalizado tentar convencer seu colega de trabalho a encampar essa nova era do sindicalismo de base! No mais, só tenho a desejar paz e prosperidade a todos!”
Para o servidor Janilson Carvalho, do TRT “a Plenária é sempre um momento importante, pois possibilita uma análise da situação real que atinge os servidores no trabalho e no âmbito geral do país. Nela, ficamos sabendo que não teremos trégua e que só a união de todos os trabalhadores poderá reduzir os danos planejados pelo governo contra os servidores. A última parcela do PCS (que já foi devorado pela inflação) será paga em janeiro e não há, no momento , nenhuma proposta de atualização em pauta. O governo vai usar como espada a Emenda Constitucional 0095/2016(teto de gastos) para barrar qualquer proposta de reajuste. A grande luta dos servidores começa com a retirada dessa emenda ou uma alteração profunda nos artigos que estabelecem o congelamento das despesas relacionadas com os salários. A FENAJUFE tem um trabalho gigantesco pela frente e precisamos fortalecê-la cada vez mais. Precisamos entender que os governos detestam multidões nas ruas e só recuam quando reconhecem a união dos trabalhadores. Precisamos passar com a banda e não ver apenas a banda passar. “, avaliou.

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