Por Janilson Sales de Carvalho – Coordenador Geral do SINTRAJURN
Uma coisa que o servidor público federal não pode negar ou desconhecer é o ódio que os políticos da Direita devotam a ele. Foi em uma reunião ministerial no Palácio do Planalto em 2020 que o ministro Paulo Guedes disse que colocaria uma granada no bolso do servidor no momento de simpatia “abraçado e enrolado com a gente”. Esse é o modelo da farsa que está em vigor nesse momento das eleições. A simpatia disfarçando o ódio alojado na alma.
A natureza dotou o mundo animal de instintos. Eles reconhecem os predadores pelo cheiro que vem no vento e pelo barulho dos passos na floresta. A mínima presença sentida condiciona as presas em uma fuga imediata e na busca de um lugar seguro. Apenas o instinto de sobrevivência comanda os atos. Por que isso não acontece com o servidor público? Ele testemunhou a reforma previdenciária que o lançou em um período mais longo de labuta. Ele não teve reajuste salarial durante os desgovernos Temer e Bolsonaro. Ele sabe que é alvo com retirada de direitos e o possível fim da paridade entre ativos e inativos e a desvinculação de reajustes entre eles. A proposta de aposentadoria aos setenta anos já está na porta e o Congresso tem maioria direitista para aprovar qualquer mudança contra os servidores. O mesmo grupo de Direita tem projeto para extinguir a Justiça do Trabalho. Flávio já afirmou que vai dar prosseguimento ao desgoverno do pai. Filho de peixe, peixinho é.
Talvez o que falta ao servidor que apoia a Direita seja a falta de amor-próprio e pela família. Um ódio cego não justifica o caos social que será gerado com a Direita retornando ao poder. A ignorância e a estupidez provocaram a morte de milhares de pessoas pela Covid. Não foram construídas escolas técnicas ou universidades. Nem cisternas nas áreas secas do Nordeste. Alguns programas sociais foram extintos ou tiveram seus recursos reduzidos drasticamente comprometendo o atendimento de milhões de famílias. Talvez o servidor direitista esteja se sentindo seguro e inatingível. Talvez precise ler a fábula “O lobo e o cordeiro”. O pobre cordeiro argumenta com sabedoria mas não sobrevive a voracidade do lobo que o devora para que silencie. Moral : “a razão e a inocência não valem de nada contra a força de quem já decidiu cometer uma injustiça.”
Os programas sociais atingem as pessoas que estão mais frágeis economicamente. A sociedade capitalista amplia todos os dias o número de carentes e isso exige uma atenção especial de proteção de vidas e planejamento de recursos. A Direita já revelou e demonstrou que não é sua preocupação. A palavra “aporofobia” significa “a aversão, o medo ou o desprezo direcionado a pessoas em situação de pobreza ou vulnerabilidade social”. Possivelmente há mais “aporófobos” votando nessas eleições do que se pode imaginar. Pelo menos sabemos o principal motivo que determina esse tipo de voto.
Cada eleitor pode ser um escudo no campo de guerra que virou essa eleição. A direita promete granadas e nós só temos nossos votos. Juntos formaremos uma forte trincheira que nos protegerá da sanha destruidora. Não seremos o cordeiro da fábula, nem o corpo destruído pela granada. Precisamos reconhecer quem somos e o que podemos sofrer com Flávio Bolsonaro no comando do Brasil. Somos servidores públicos da nação brasileira e devemos amá-la e protegê-la contra retiradas de direitos e a pela proteção dos programas sociais. Não é o nosso heroísmo mas a nossa humanidade que servirá de combustível para evitar a tragédia social que se anuncia.





