Por Janilson Sales de Carvalho – Coordenador Geral do SINTRAJURN

O SINTRAJUN em assembleia do dia 17/10/2026 aprovou o apoio político ao projeto que protegesse os direitos dos trabalhadores e a democracia brasileira. Essa decisão está completamente respaldada no estatuto do sindicato: Art. 2º – O SINTRAJURN tem por finalidade precípua unir os Trabalhadores do Poder Judiciário Federal do Estado do Rio Grande do Norte, na luta por melhores condições de vida e de trabalho de seus representados, atuando na manutenção e defesa das instituições democráticas, sempre defendendo e observando a autonomia e independência da representação sindical.

Nunca houve uma assembleia que se posicionasse abertamente por atuação política que não envolvesse apenas os interesses básicos da categoria. Mas a situação é ameaçadora para todos os trabalhadores incluindo os servidores públicas na linha de tiro. A inspiração de Flávio Bolsonaro está vinculada às práticas e decisões de Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina). Ambos iniciaram seus mandatos atacando diretamente os servidores públicos com a realização de milhares de demissões. O modelo para eles é sempre de estado mínimo e sem interferência no setor privado permitindo a liberdade total do mercado. Nesse panorama, qualquer ação do Estado é desvalorizada e proibida. Lembremos que o mercado gosta de lucros nos resultados e a prestação do serviço público gratuito não cabe nesse modelo.

A inspiração em Milei está na simbologia do corte com a utilização da motosserra. O plano motoserra é a política de cortes radicais de gastos públicos na Argentina que incluiu o Decreto 1.203 de 2026 para demitir até 21 mil servidores públicos e o corte de mais de 77 mil vagas estatais desde o início da gestão Milei. Flávio Bolsonaro optou pela imagem da tesoura e disse que vai privatizar 95 porcento das estatais. Isso combina com as propostas de Milei e Trump e com os interesses da Direita brasileira. Obviamente, Flávio não optou pela motosserra por ela ter uma vinculação plena com a destruição das matas e do meio ambiente. Mas sabemos que no governo de Jair Bolsonaro “passaram a boiada” para destruir as leis de proteção ao meio ambiente. Tal pai, tal filho. A tesoura corta com precisão planejada, principalmente, gastos com salários, pensões e benefícios de auxílio aos pobres do Brasil. O único planejamento baseia-se no corte e não na aplicação de recursos nas necessidades da população brasileira.

Foi feita uma publicação no Instagram do sindicato com Flávio Bolsonaro rasgando a Constituição Brasileira. Um filiado comentou dizendo tratar-se de fake, outro, ex-coordenador geral, afirmou que o sindicato deveria ficar neutro como outros sindicatos. Desconheço qualquer sindicato de trabalhadores que não esteja empenhado na luta política pela vitória do candidato Lula. Em nenhum momento houve proposta destrutiva contra direitos dos trabalhadores na pauta petista.

Hoje o SINTRAJURN tem uma diretoria participativa e atuante, algo totalmente diferente das anteriores. A decisão de apoiar a candidatura de Lula foi da assembleia e não da diretoria. Qualquer trabalhador reconhece os riscos gritantes que a Direita oferece. Até mesmo os que a apoiam sabem disso. Nós do judiciário federal estamos acompanhado propostas da Direita para extinção da Justiça do Trabalho, principal obstáculo para exclusão e aniquilação dos direitos da classe trabalhadora. Em 1999 os servidores do TRT21 criaram um fundo de apoio para o envio de dezenas de servidores em um ônibus para Brasília em defesa da Justiça do Trabalho. Tive a honra de participar dessa comitiva. Foram oito dias entre a ida e a volta. Naquele momento o Congresso ouvia a classe trabalhadora e não permitiu que a JT sofresse retaliações. E hoje? Congresso com maioria de Direita. A vitória de Flávio Bolsonaro será a porta aberta para propostas contra a Justiça do Trabalho e a Eleitoral. O mandato de Jair Bolsonaro foi contundente contra o sistema eleitoral brasileiro.

Outro colega, como afirmei, disse que rasgar a Constituição era fake. Desde 1988 o único candidato que pretende alterar o tempo de mandato presidencial e retirar a reeleição é Flávio Bolsonaro. É ingênuo quem acredita ser desapego ao poder. Poder é o alimento insaciável da família Bolsonaro. O único ex-presidente que não conseguiu se reeleger foi Jair Bolsonaro e por isso o filho procura um mecanismo que altere esse modelo para benefício da Direita. A retirada da reeleição e a o aumento no tempo do mandato para cinco ou seis anos, ou a eternidade, representa um risco enorme à democracia. Um presidente é reeleito porque seu governo é analisado positivamente pela maioria dos eleitores votantes. Fernando Henrique, Dilma e Lula conseguiram isso, Jair Bolsonaro não conseguiu apesar de utilizar bilhões de reais para convencer eleitores no período da presidência. Ele não foi eleito porque governou com insensibilidade social com uma vaidade pessoal e uma incapacidade crônica de compreender as necessidades essenciais dos brasileiros. Tivemos a trágica sorte de tê-lo na presidência no momento terrível da pandemia da COVID. As verbas da área da educação sofreram cortes terríveis e não houve criação de nenhum Instituto Federal ou Universidade.

Agradeço a assembleia do SINTRAJURN a decisão que tomou em apoiar a candidatura de Lula. Revela a lógica do instinto de sobrevivência num campo repleto de riscos e ameaças aos trabalhadores em geral e aos servidores públicos em particular.

Não queremos a ameaça cortante da tesoura e sim o aperto de mão sincero que garanta um futuro digno para cada brasileiro.

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